31.10.06

Conversa de fim-de-semana

Por estar chegando o fim-de-ano, eu hoje lembrei-me de meu primeiro Natal fora do Recife. Senti uma angústia muito grande por não poder estar na presença de pais e irmãos. Eu morava nesse tempo no Rio de Janeiro, a chamada "Cidade Maravilhosa". Naquele Natal de 1976, a melancolia e a saudade invadiram minh'alma. No silêncio de meu quarto, sozinho e sem ninguém com quem conversar, minha tristeza aumentava porque lá fora eu sabia que havia milhares de pessoas comemorando mais um Natal em família. Enquanto imaginava as imagens de casa ao lado de meus familiares, uma saudade imensa tomava conta de mim. Justo à noite, quando eu me sentia mais só, meus pensamentos ganhavam asas em busca do olhar da namorada. Esse tipo de saudade simboliza um raro momento de consciência da finitude das coisas. Só nessas ocasiões é que podemos avaliar melhor a importância da presença das pessoas a quem amamos e queremos bem. Isso é fundamental para que a nossa alegria seja verdadeira e plena.

A verdade é que nossas vidas estão repletas de símbolos, imagens que marcaram e marcam nossas vidas para sempre. Delas não nos afastaremos jamais. Ontem foi o Natal, hoje podem ser as noites de São João que estarão presentes em nossas memórias. Amanhã, vou lembrar da comida de minha mamãe, da flor guardada que me fez pensar num amor antigo, ou da cartinha da namorada que insinua minha iniciação nos caminhos do amor. Se cultivarmos as boas lembranças da vida, as coisas boas que estão à nossa volta, certamente o nosso mundo se encherá de símbolos e nós, de encantamento. Por isso não nego que haverá sempre uma beleza especial em cada amanhecer. Haverá sempre uma estranha sensação de prazer no meu caminhar, que transcende a mais bela poesia ou ao mais bonito dos versos que já fiz.
Desejo-lhe um prazeroso fim-de-semana!

Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
msn:
luiz-maia@hotmail.com
SKIPE - luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE.

Uma rápida digressão na nossa História Política...

A indignação atual das pessoas com a classe política é também a minha. Ocorre que tudo que acontece de ruim no governo é porque é o PT que está no poder. Não fosse assim e a impressa não falaria nada. Foi sempre assim nos últimos cinqüenta anos, embora nunca houvesse tamanha grita. Agora não tem como escapar das críticas, no que faz muito bem. Mas não se esqueça que eles fizeram pior nesses últimos 50 anos, sendo a imprensa até obrigada a calar. Hoje respiramos outros ares. Ainda bem que o PT (indiretamente) está ajudando a mudar a cara deste país quando expôs as mazelas desse sórdido processo eleitoral ao conhecimento público. Não se deixe levar por essa histeria de parte da imprensa que está a serviço de grupos espúrios. A mídia escrita e televisada tem compromissos escusos porque seus donos pertecem à elite econômica que sempre mandou neste país. Essa gente tampa o nariz quando se fala no povo. As oposições estão unidas num projeto de desagregação nacional. Eles não têm (nem nunca tiveram) políticas públicas eficazes, são contra a reforma agrária e ainda por cima estão acostumadas a privatizar o patrimônio público. Esse pessoal não tem compromissos com o bem do país e do seu povo. Lembra-se dos tristes oito anos do governo anterior?

O certo é que estamos agora diante diante de mais uma eleição. Nunca é demais lembrar que atrás de cada "ave de pena" existe um monte de entreguistas querendo retomar o poder novamente. Eles deram apoio à ditadura, mandaram e desmandaram neste país por mais de 40 anos, praticaram centenas de desmandos e tiveram na imprensa amordaçada sua melhor companhia. Por muitos anos ninguém soube da roubalheira instalada neste país, da tortura e da venda a grupos internacionais das estatais brasileiras que davam lucro. Essas figuras proeminentes, de uma época obscura, tentam esconder seu passado sujo e agora, junto com o candidato de oposição, na maior cara de pau, vivem a dar lições de ética e moralidade públicas. Quanta mentira! Tenho o maior respeito pela opinião de cada um, boa ou ruim o fato é que vivemos numa democracia. Vamos adiante...

Faço minhas as palavras do historiador Luiz Felipe de Alencastro quando diz: "Votei em Lula, como nas eleições precedentes em que ele se candidatou. Penso que o PT e Lula são portadores de um projeto democrático de transformação social que foi parcialmente realizado no primeiro mandato e poderá ser completado num segundo. Votarei novamente em Lula no dia 29 de outubro. Mas, agora, com um pé atrás. Os erros de Lula e os atos delituosos da direção do PT suscitam reflexões pessimistas. Mas o impulso para o progresso social e a confiança no processo democrático, explicitados no voto majoritário que Lula obteve entre as camadas populares e a população negra, geram o otimismo da vontade de mudança." Pois bem, vamos expulsar essa gente uma vez da vida pública brasileira. Um dia veremos o povo tomando seu destino nas mãos. Está bem perto de acontecer. Enquanto esse dia não chega, vamos eleger em 29 de outubro o presidente Lula. É 13 neles !

Tecendo a vida

Existiu uma mulher em Vila do Conde que escrevia poesias para presentear os casais apaixonados - ela fazia de sua arte uma razão de vida. Conheci a história de uma mocinha simples, em Santiago do Chile, que dizia descobrir o futuro das pessoas através das cartas de baralho - mas sua intenção era apenas a de plantar esperança no coração dos homens. Um dia eu vi uma jovem pintando lindas telas em Piranhas, cidade situada às margens do Rio São Francisco - seu interesse era levar a cultura de sua gente aos turistas que atravessavam aquele Rio. Sei de muitas mulheres que tecem rendas e fazem redes em Tracunhaém, outras que plantam mandioca e depois trabalham nas casas de fazer farinha em Brejão. Quase todas exercem atividades de pouca visibilidade, muito mais por diletantismo que visando ganhar algum dinheiro, mas em certos casos muitas suprem com facilidade suas necessidades. O mais louvável é que todas dizem levar uma vida feliz. Elas entenderam que para ter controle de suas vidas seria preciso fazer escolhas. Muitas tiveram a chance de fazê-las, como nos exemplos acima, enquanto outras se perderam no caminho.

Parece tão simples fazer escolhas... Pode ser, mas quando olhamos ao nosso redor e vemos um grande número de pessoas reclamando de suas próprias vidas, como se não tivessem nenhuma chance de escolhas, chego a imaginar que nossa vida não é determinada pelo que nos acontece mas sim pelas opções que fazemos durante a vida em relação aos acontecimentos. Algumas pessoas escolheram percorrer um caminho bem mais difícil do que outras. Não importa se é mais fácil ou complicada sua estrada, o fato é que todos viemos a esse mundo com os apetrechos de que necessitamos para alcançar nossos objetivos. De repente encontramos nas atividades mais simples o caminho que nos levará à satisfação interior
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Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
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luiz-maia@hotmail.com
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Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
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Conversa de fim-de-semana

É comum escutarmos críticas aos jovens por muitos não obedecerem a seus pais, não respeitarem os mais velhos ou pensarem que sabem de tudo e que os mais idosos não passam de uns ultrapassados. Sabe-se que a irreverência e a contestação são marcas próprias do adolescente, em qualquer época. A verdade é que essas afirmações são procedentes e fazem parte do atual contexto sócio-familiar. Tudo bem, isso é incontestável. Mas é preciso também considerar o fato de muitos pais serem ausentes do dia-a-dia de seus filhos, seja pela correria da vida moderna ou pela realidade de terem de trabalhar duro para sustentar suas famílias. Enquanto existir o vácuo da presença dos pais na vida dos filhos, a fragilidade na relação se acentuará e as distorções que acabo de mencionar prevalecerão. Entretanto, podemos aprender muito com os jovens desde que nos permitamos estar com eles, conversar sobre suas angústias, dúvidas, ou mesmo sobre a sexualidade aflorada tão presente nessa idade. Enfim, falar sobre nossas diferenças e tirar proveito dessa saudável interação é possível e todos deveriam pensar nessa possibilidade.

Eu tenho certeza que ainda existe muito terreno a ser explorado nessa área, diversas lições para serem aprendidas com os jovens quando nos mostrarmos atentos e nos preocuparmos com suas vidas. Sinceramente, penso que essa geração tem maiores chances de ser feliz que a nossa. Ficar e outras maneiras de amar foi o que aprendi estando com eles, nas conversas francas e desprovidas de preconceitos. Aprende-se com eles que a hipocrisia tem vida curta no seio de suas tribos e que a autenticidade é uma marca indelével dos novos tempos. Eles entendem de prazer mais que os adolescentes de outras épocas. Sem dúvida a melhor vacina contra a dor é o prazer. O prazer liberta. Quem demonstra prazer pela vida geralmente tem entusiasmo por tudo que faz. É uma pessoa feliz, saudável, livre! Parabéns aos jovens que buscam no seu dia-a-dia colocar prazer em tudo que faz, gente que gosta de admirar o belo à sua volta. Essa geração certamente tem mais possibilidades de ser feliz e fazer feliz outras pessoas também. Isso aprende-se com eles. É só tentar escutá-los.
Concluo desejando-lhe um excelente fim-de-semana!
Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
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Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
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Agentes da paz

A humanidade assiste perplexa ao caos corroendo a sociedade, assumindo proporções (quase) incontroláveis. Os meios de comunicação oferecem uma gama de notícias desagradáveis a cada dia. O ceticismo toma conta das pessoas. O ser humano parece ficar impotente diante da força do mal que ganha corpo.

Na outra ponta da verdade, vemos com bons olhos cidadãos de bem se insurgindo contra esse momento nebuloso, que apequena o homem e o reduz à categoria de insano, buscando incutir em cada indivíduo a cultura do bem. Essa energia vital atua como princípio ativo da paz, da justiça e do amor.

O cidadão de boa vontade traz consigo a consciência de que o bem empregado na direção do próximo certamente voltar-se-á para ele e, por conseguinte, para toda a humanidade. Por isso lutam, num primeiro momento, para sensibilizar os governos a implementarem, com urgência, políticas que contemplem o setor social. A sociedade mobilizada pode oferecer sugestões, discutir acões em conjunto, mostrar caminhos outros que não esse que nos foram legados.

Faz-se necessário oferecer meios ao homem que assegurem o pleno direito de atendimento às necessidades básicas, aos desejos e objetivos que nos levam ao bem-comum. Para isso é fundamental apostarmos na energia vital que vem do homem de bem, que visa inserir o cidadão num novo contexto cósmico, em que a civilização do terceiro milênio levará a humanidade a um grau mais elevado e superior de sabedoria e felicidade. Felizes aqueles que são dotados dessa energia vital.

Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
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Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
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Nada além

Escute essas minhas palavras em forma de ternura. São lembranças minhas. Um dia, no silêncio de seu quarto, quem sabe você possa escutá-las sem que o sentimento de culpa venha esconder sua alegria. Você nunca pediu para entrar no meu pensamento. De repente, você me invade e é quase impossível expulsá-la porque já sou eu quem a espera. Creio na força do pensamento e transformo esse meu gesto em alento cuja razão guia os meus passos. Admiro seu jeito de arrebatar corações, algo que mexe com o imaginário da gente. Sua alegria contagiante me levou um dia a pensar que você era um sonho de verão. Mas logo o inverno chegou, trazendo consigo a realidade.

Ah, esse desejo que me incendeia o peito chega a doer em minh'alma. Já não há escolhas, preciso confessar-lhe. Falo sobre o que considero um amor bonito, quando, a partir de um certo instante, eu passei a sentir por você uma atração forte a ponto de desejá-la. Até que um dia eu quis beijá-la, conhecê-la em sua intimidade. Mas em nenhum momento você usou de cumplicidade. Nas vezes em que eu a desejei, o sentimento de culpa logo se apoderou de mim. Percebi que você já não era a menina de antes e aquele seu jeito de mulher despertara em mim um sentimento bonito, mas de difícil compreensão. Sei que nem lembra, quando certa vez busquei melhorar sua aparência e sugeri que você mudasse de penteado. Eu a achava uma graça quando defronte do espelho escolhia suas roupas, arrumava o cabelo, sempre olhando para mim. Eu parecia um bobo apaixonado, admirando seu sorriso nos lábios, a me perguntar se ficara bonita.

Acontece que com o passar dos anos as coisas tomaram outras proporções. Além do natural amor que eu sentia, fui levado de repente por um desejo que era mais forte que eu. Sem que você soubesse, eu passei a olhar de lado os seus namorados. Quando se arrumava para eles, meu ciúme era visível. Por algum tempo fiquei refém desse sentimento e isso me incomodou em parte. Até que um dia resolvi escrever uma poesia em sua homenagem, nada além disso eu poderia fazer. Creio que não escolhemos o papel que vamos representar nessa existência de forma consciente. Vamos tocando a vida e sofrendo as conseqüências do que fazemos e pensamos. Só na maturidade alguns de nós conseguem entender o que somos, o que fizemos de nossas vidas. Mas aí muita pancada já levamos e não podemos mais voltar no caminho. Nada como o passar do tempo para apagar nossas fantasias, nossos sonhos de verão.
Fraternalmente,
Luiz Maia
http://br.geocities.com/escritorluizmaia/
msn: luiz-maia@hotmail.com
SKIPE - luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE.
"Existe um sentimento Universal de satisfação em nós quando fazemos algo de bom e positivo aos outros, assim como o de tristeza quando cometemos alguma injustiça com o próximo."
(Luiz Maia)

Quando me vi só

Existem pessoas que agem a vida inteira com indiferença, esquecendo-se de escutar os apelos que vêm do mundo. Antes deveriam pensar nas conseqüências de seus atos. Aqueles que conhecem um pouco da vida saberão o porquê dessas minhas palavras. Por não aceitar seguir determinados caminhos foi que um dia eu conheci a solidão. Eu me vi só no dia em que não aceitei agir com subserviência, por não admitir agradar pessoas que não merecem um aperto de mão. Quando apanhei por não calar diante do mal que queriam fazer. Eu me vi só por ter aprendido na vida a não fazer concessões às leis do "vale tudo", do "jeitinho brasileiro", métodos que só fazem diminuir a quem os pratica.

Eu sei que existem caminhos que nos fazem abraçar a solidão. Muitas vezes nos sentimos ilhados, mas satisfeitos por não compactuarmos com atitudes mesquinhas que só denigrem a espécie humana. Eu sinto às vezes uma estranha solidão. A solidão daqueles que só comungam com o bem-querer, que só pensam em viver a lei do amor. Bendita solidão. Sinto-me só por não acreditar nas palavras dos que pregam a falsa paz ou na bondade tardia das pessoas que visam fortalecer a descrença num mundo melhor. Quem me conhece sabe que eu jamais acreditarei nisso. Não admito nas pessoas os atos torpes, as atitudes desonestas, o desamor vivido entre elas. Esses gestos menores nos conduzem fatalmente à tristeza infinda.

Eu me senti só no dia em que fui abandonado pelos amigos, até esquecido por pessoas que um dia se disseram amigas. O mundo está cheio de egoístas que não sabem viver corretamente, gente que interfere negativamente no caminho daqueles que só fazem o bem. Eu me vi só no dia em que me negaste um abraço, quando demonstraste indiferença aos vários acenos meus. Quando fingiste que me querias bem. Eu me senti só no momento em que não me recebeste em teu coração, quando sorrindo fingiste não perceber a minha presença. Eu me vi só quando perdi tua amizade, quando deixaste de sorrir nas vezes em que me vias. Eu me senti só no momento em que me negaste guarida, quando ignoraste o meu beijo naquela despedida. Hoje eu me sinto só quando te procuro e só encontro algumas lembranças daquilo que fomos um dia.

* Luiz Maia é autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos". - Edições Bagaço - Recife/PE.

http://br.geocities.com/escritorluizmaia/

3.10.06

Carências

É possível que os valores atuais de nossa sociedade contribuam para inibir as demonstrações de carinho que todos deveriam ter uns para com os outros. Amar uns aos outros, assim como o Pai nos ama. O que se vê é a indiferença imperando em cada rosto que encontro. Boa parte das pessoas está mesmo interessada em autoproduzir-se, em adquirir status fazendo valer o seu lado personalístico. Nunca valorizaram tanto a individualidade como agora, jamais nos sentimos uma ilha como atualmente.

Tudo indica que poucos ainda se lembram de agir solidariamente, de emprestar sua voz ao outro que necessita, ou mesmo ceder um pouco do seu tempo para escutar e amenizar a dor alheia. A sociedade está enferma à medida em que se esmera em valorizar o consumismo exarcebado, algo que exige uma melhor avaliação de todos nós. E por aí o homem passa a consumir e a valer por aquilo que tem, pelas coisas que demonstra possuir. Adquirir bens passou a ser o único parâmetro de status. Desse modo, estão condenadas ao total esquecimento as pessoas que não têm o hábito de consumir, ou por não gostarem ou porque não dispõem de dinheiro para tal. Esse modelo de sociedade não é o ideal que gostaríamos de ver. O meu pai já dizia que o homem só vale aquilo que tem. Hoje, cada vez mais, o entendo melhor.

Conversa de fim-de-semana

Tenho minhas dúvidas se as pessoas sabem decifrar os sentimentos que se apoderam da gente. Refiro-me às questões afetivas e amorosas. Você nunca sofreu por amor? Paixão e amor são a mesma coisa? Desejar, ficar apaixonado por alguém seria uma forma de amor? Eu reconheço que não sei dizer. Quantas vezes me vi apaixonado sem saber decifrar esse mistério. Na minha infância eu era apenas uma criança despertando para a sexualidade. Mais velho, já rapaz e ainda assim inexperiente, cansei de ouvir que eu deveria aprender a separar paixão de amor para não me machucar adiante. Eu ficava sem entender direito aquela conversa acadêmica. Quantas vezes escutei conselhos... Disseram-me que amor, desejo e paixão são sentimentos distintos. Que desejo carece de imediata resposta, a pronta realização. É puro instinto. Outro me assegurou que o amor é um sentimento nobre, no entanto nem mais nem menos importante que o desejo e a paixão. Já passei por tudo isso, e continuo sem entender corretamente as coisas.

Certamente ninguém deveria ter preocupações com coisas que só a natureza tem o dom de nos ensinar. O resto não passa de normas de condutas adotadas pelos homens, sem nenhum valor científico. Sei apenas que aos doze anos eu já me comprazia ao ver casais de namorados trocando carícias nos portões, indiferentes à minha presença. Como era prazeroso o fato de imaginar que podia ser eu no lugar de um algum rapaz que, cheio de dedos, ensaiava algumas intimidades mais ousadas com sua namorada. Eu sonhava com o dia de poder deixar minha mão escorrer por baixo daquelas anáguas, tentando alcançar por entre suas coxas as delícias desta vida. E como eu fantasiava me imaginando ali e torcia para crescer rapidamente...

Aos treze anos arrisquei escrever minha primeira poesia, uma bobagem assim: "Te amarei para sempre / Te desejo loucamente / Nas tardes de sol agarro-me aos teus cabelos / Mergulho em teu mar e beijo teu rosto mansamente / Teus olhos são o meu descanso / Amo teus seios róseos, tua pele braca cor de açúcar, tuas coxas e o teu copo nu." Fiz pensando na minha vizinha, uma menina bonita cujo seios já começavam a despontar. Sentado na areia da praia eu a olhava tomando seu banho de sol. E adorava apreciar seu andar macio, displicente, indo em direção ao mar. Eu a achava linda sacudindo o cabelo, girando a cabeça contemplando o nada. Sem olhar para mim, pegava suas sandálias e saia de mansinho, deixando-me com a doce ilusão de que um dia ela poderia ser a minha namorada. Quando criança eu pensava que o amor era coisa que apenas os adultos entendiam e ficava querendo crescer para usufruir suas delícias. Mas hoje sei que amar requer um permanente e exaustivo aprendizado. É um processo sem fim...
Desejo-lhe um prazeroso fim-de-semana !

Desapego

Fiquei pensando aqui... Você já sentiu vontade de se ver livre da pressão das tarefas diárias, do tempo e de alguns relacionamentos? Cansou-se dos alimentos lights, diets? Já não existe romantismo em apreciar o jardim de sua casa? Então, experimente desprender-se de tudo que pareça estar lhe cansando. Desapegue-se de suas próprias idéias para poder ficar receptivo às novas.

Desapegar-se é entender a realidade tal como ela é, mas procurando abrir espaços ao sonho e à esperança. Assim você poderá desfrutar das oportunidades da vida, abraçando-se às mudanças, internas ou externas, que vêm lhe seduzindo.

É bem provável que agindo assim você venha a se sentir de bem com a vida, responsável pelos outros e feliz. Às vezes é mesmo preciso persistir na busca do novo, deixando de lado possíveis valores que já perderam o sentido de ser. Precisamos manter o coração aberto ao novo, eliminando o apego extremado a valores, pessoas, sentimentos e posturas que não mais contribuem para uma vida saudável e feliz.

"Existe um sentimento Universal de satisfação em nós quando fazemos algo de bom e positivo aos outros, assim como o de tristeza quando cometemos alguma injustiça com o próximo."
(Luiz Maia)