Carências
É possível que os valores atuais de nossa sociedade contribuam para inibir as demonstrações de carinho que todos deveriam ter uns para com os outros. Amar uns aos outros, assim como o Pai nos ama. O que se vê é a indiferença imperando em cada rosto que encontro. Boa parte das pessoas está mesmo interessada em autoproduzir-se, em adquirir status fazendo valer o seu lado personalístico. Nunca valorizaram tanto a individualidade como agora, jamais nos sentimos uma ilha como atualmente.
Tudo indica que poucos ainda se lembram de agir solidariamente, de emprestar sua voz ao outro que necessita, ou mesmo ceder um pouco do seu tempo para escutar e amenizar a dor alheia. A sociedade está enferma à medida em que se esmera em valorizar o consumismo exarcebado, algo que exige uma melhor avaliação de todos nós. E por aí o homem passa a consumir e a valer por aquilo que tem, pelas coisas que demonstra possuir. Adquirir bens passou a ser o único parâmetro de status. Desse modo, estão condenadas ao total esquecimento as pessoas que não têm o hábito de consumir, ou por não gostarem ou porque não dispõem de dinheiro para tal. Esse modelo de sociedade não é o ideal que gostaríamos de ver. O meu pai já dizia que o homem só vale aquilo que tem. Hoje, cada vez mais, o entendo melhor.

0 Comentários:
Postar um comentário
<< Home