30.8.06

Conversa de fim-de-semana

Hoje vou falar do prazer de ser simples. Quando somos adolescentes e nos afastamos de casa para morar distante, é inevitável que tenhamos lembranças do nosso lugar. Um dia eu fui residir em São Paulo. Em que pese as novidades serem muitas na admirável metrópole, não demorou para que eu sentisse falta dos hábitos e costumes do meu Recife. Por vezes senti desejos de comer cuscuz com charque, carne de sol com feijão verde, munguzá, canjica e pé-de-moleque. Saudade do pão-de-ló, suco de mangaba, sorvete de graviola, cajá, pitanga e caju. Como não lembrar das praias pernambucanas? Confesso que essas coisas não saiam de minha cabeça. Ser telúrico parece a minha sina. Estou apegado às coisas de minha terra como a ostra está para a sua concha. Certíssimo estava Fernando Pessoa, o poeta maior português, quando disse que o mais belo rio do mundo era aquele que banhava a sua aldeia. Nada mais significativo existe que esse seu sentimento. Coisas de poetas...

Imagino que dentro de minha simplicidade eu possa me fazer entender, falar às pessoas sobre coisas de que eu gosto e que tenho prazer em realizar no meu dia-a-dia. Não tem preço para mim poder chegar em casa, tomar um banho, vestir uma roupa surrada e tomar um café com biscoito. E, antes de deitar, comer queijo de coalho assado na chapa com pão francês. Nada melhor do que estar em casa envolvido com a simplicidade de nossos hábitos, tendo ao meu lado a mulher amada para sorver a alegria da vida. Quando estou na calmaria do lar, sinto estar vivendo em pleno estado de graça. Por melhor que seja um lugar, não nego que eu prefiro o meu cantinho. Essas experiências pessoais me dão a nítida percepção do quão intransferível são meus sentimentos. Minha finalidade é a de aguçar seu imaginário, levá-la a pensar sobre a imprescindível necessidade de convivência com o simples. Abraçar-se a tudo que pareça rotina, comum. Aí é onde mora a felicidade. Torna-se imperiosa essa vivência fecunda com os valores já esquecidos na correria da vida moderna.

Desejo-lhe um ótimo fim-de-semana.

Nada além

Escute essas minhas palavras em forma de ternura. São lembranças minhas. Um dia, no silêncio de seu quarto, quem sabe você possa escutá-las sem que o sentimento de culpa venha esconder sua alegria. Você nunca pediu para entrar no meu pensamento. De repente, você me invade e é quase impossível expulsá-la porque já sou eu quem a espera. Creio na força do pensamento e transformo esse meu gesto em alento cuja razão guia os meus passos. Admiro seu jeito de arrebatar corações, algo que mexe com o imaginário da gente. Sua alegria contagiante me levou um dia a pensar que você era um sonho de verão. Mas logo o inverno chegou, trazendo consigo a realidade.

Ah, esse desejo que me incendeia o peito chega a doer em minh'alma. Já não há escolhas, preciso confessar-lhe. Falo sobre o que considero um amor bonito, quando, a partir de um certo instante, eu passei a sentir por você uma atração forte a ponto de desejá-la. Até que um dia eu quis beijá-la, conhecê-la em sua intimidade. Mas em nenhum momento você usou de cumplicidade. Nas vezes em que eu a desejei, o sentimento de culpa logo se apoderou de mim. Percebi que você já não era a menina de antes e aquele seu jeito de mulher despertara em mim um sentimento bonito, mas de difícil compreensão. Sei que nem lembra, quando certa vez busquei melhorar sua aparência e sugeri que você mudasse de penteado. Eu a achava uma graça quando defronte do espelho escolhia suas roupas, arrumava o cabelo, sempre olhando para mim. Eu parecia um bobo apaixonado, admirando seu sorriso nos lábios, a me perguntar se ficara bonita.

Acontece que com o passar dos anos as coisas tomaram outras proporções. Além do natural amor que eu sentia, fui levado de repente por um desejo que era mais forte que eu. Sem que você soubesse, eu passei a olhar de lado os seus namorados. Quando se arrumava para eles, meu ciúme era visível. Por algum tempo fiquei refém desse sentimento e isso me incomodou em parte. Até que um dia resolvi escrever uma poesia em sua homenagem, nada além disso eu poderia fazer. Creio que não escolhemos o papel que vamos representar nessa existência de forma consciente. Vamos tocando a vida e sofrendo as conseqüências do que fazemos e pensamos. Só na maturidade alguns de nós conseguem entender o que somos, o que fizemos de nossas vidas. Mas aí muita pancada já levamos e não podemos mais voltar no caminho. Nada como o passar do tempo para apagar nossas fantasias, nossos sonhos de verão.

Saudade

Embora às vezes o mundo diga um não enorme à nossa vontade de seguir adiante, prosseguimos mundo afora a distribuir o amor que ainda nos resta.
Seria bom que o tempo parasse naqueles dias de plena comunhão com a alegria.

Mas isso não passa de utopia. E justo nos momentos mais tristes de nossas vidas, temos de entender que é preciso refazer o caminho e rebuscar a felicidade perdida.

É hora de driblar a saudade que se instalou de vez em nossos corações. E quando a saudade acontece de forma definitiva, lembro-me da citação de Clarice Lispector que diz:

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la".

23.8.06

Adiando a vida

Há pessoas que vivem permanentemente adiando decisões. Não são capazes de ousar. Muitas estão acostumadas a se refugiarem por trás do medo, outras acomodam-se pela inércia. Assim todas passam a negar a vida que clama no âmago de cada uma. Por que seguir adubando suas existências medíocres a troco de nada?

Fica difícil de explicar, caso a caso, as razões que levam essas pessoas a trancarem suas vidas, como se, escolhendo levar uma vida insípida, sem horizonte algum, ficassem imunes aos eventuais dissabores que a vida nos impõe. Ledo engano. Não tem sentido nenhum adiar a vida, imaginando ser o amanhã o depositário fiel de suas esperanças. Afinal de contas, o momento presente foi o "amanhã do ontem que passou".

Ousar é fundamental para que as pessoas vejam seus sonhos se concretizarem, suas esperanças satisfeitas, suas metas realizadas. E mesmo que não atinjam seus objetivos de pronto, é certo que terá valido a pena ter ousado e desafiado o destino. Nunca é demais saber que o tempo urge e o amanhã é incerto. Adiar a vida, jamais!

15.8.06

Mar morno

Moro num Estado onde existem lindas praias. Quase não tiramos proveito dessa maravilha. Reconhecemos que vamos muito pouco a esses recantos. Só percebemos isso quando pessoas vindas de outras cidades nos dizem que adorariam residir aqui. Mas isso é relativo já que muitas pessoas que moram no Rio de Janeiro, por exemplo, nunca foram ao Cristo Redentor ou se dignaram a subir no bondinho do Pão de Açúcar. Mas é verdade que o mar nordestino cativa o visitante por suas águas mornas. Sua água morna contrasta com a frieza das águas do Sul.
Precisamos usufruir mais das belezas desse paraíso: a água de coco geladinha, seu coqueiral, a moqueca de peixe à base de coco, a brisa fresca que nos impele a sentir preguiça, quando descansamos nas redes embaixo dos coqueirais. Como a vida é maravilhosa. Como a natureza é generosa. O quanto que somos ignorantes e pequenos diante da grandeza e da sabedoria do Universo. Os amigos estão certos quando sabem valorizar esse bem que temos à nossa disposição. Esse mar humilha qualquer um que tente descobri-lo. O banho de mar, além de abrir o apetite, tem o poder de nos deixar inteiramente relaxados. Praia que nos faz sentir preguiça. Sua majestade o oceano! Toda essa imensidão e parece tão sereno, calmo e tranqüilo. Ah, vida minha! Eu certamente não pedi para nascer, mas se eu pudesse escolheria nascer novamente um dia!
Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
msn: luiz-maia@hotmail.com
SKIPE - luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE.

13.8.06

Conversa de fim-de-semana

Quando me vi só
Luiz Maia
Existem pessoas que agem a vida inteira com indiferença, esquecendo-se de escutar os apelos que vêm do mundo. Antes deveriam pensar nas conseqüências de seus atos. Aqueles que conhecem um pouco da vida saberão o porquê dessas minhas palavras. Por não aceitar seguir determinados caminhos foi que um dia eu conheci a solidão. Eu me vi só no dia em que não aceitei agir com subserviência, por não admitir agradar pessoas que não merecem um aperto de mão. Quando apanhei por não calar diante do mal que queriam fazer. Eu me vi só por ter aprendido na vida a não fazer concessões às leis do "vale tudo", do "jeitinho brasileiro", métodos que só fazem diminuir a quem os pratica.

Eu sei que existem caminhos que nos fazem abraçar a solidão. Muitas vezes nos sentimos ilhados, mas satisfeitos por não compactuarmos com atitudes mesquinhas que só denigrem a espécie humana. Eu sinto às vezes uma estranha solidão. A solidão daqueles que só comungam com o bem-querer, que só pensam em viver a lei do amor. Bendita solidão. Sinto-me só por não acreditar nas palavras dos que pregam a falsa paz ou na bondade tardia das pessoas que visam fortalecer a descrença num mundo melhor. Quem me conhece sabe que eu jamais acreditarei nisso. Não admito nas pessoas os atos torpes, as atitudes desonestas, o desamor vivido entre elas. Esses gestos menores nos conduzem fatalmente à tristeza infinda.

Eu me senti só no dia em que fui abandonado pelos amigos, até esquecido por pessoas que um dia se disseram amigas. O mundo está cheio de egoístas que não sabem viver corretamente, gente que interfere negativamente no caminho daqueles que só fazem o bem. Eu me vi só no dia em que me negaste um abraço, quando demonstraste indiferença aos vários acenos meus. Quando fingiste que me querias bem. Eu me senti só no momento em que não me recebeste em teu coração, quando sorrindo fingiste não perceber a minha presença. Eu me vi só quando perdi tua amizade, quando deixaste de sorrir nas vezes em que me vias. Eu me senti só no momento em que me negaste guarida, quando ignoraste o meu beijo naquela despedida. Hoje eu me sinto só quando te procuro e só encontro algumas lembranças daquilo que fomos um dia.

Desejo-lhe um prazeroso fim-de-semana !
Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
msn:
luiz-maia@hotmail.com
SKIPE - luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE.

9.8.06

Livro Cânticos




À venda na Livraria Jaqueira
, Rua Antenor Navarro, 138, Jaqueira, Recife/PE, CEP: 52050-080, Fone/Fax: 81 3265-9455, E-mail:
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Amigo (a),
É com alegria que divulgamos o livro "Cânticos",
uma coletânea de 67 textos reflexivos, escritos por mim e minha esposa, distribuídos em 150 páginas.
Aqui temos uma pequena amostra de seu conteúdo:


"Sejamos responsáveis pelo nosso próprio viver, impondo sempre às nossas ações um mínimo de dignidade que permita nos sentirmos inteiros e felizes. Tudo que é feito com respeito a si e ao próximo eleva e engrandece quem o faz. E o torna feliz!"

"É um consolo saber que a generosidade permanece no coração dos homens. Talvez faça parte de sua natureza. Por isso, é preciso ser grato pela generosidade recebida e, principalmente, cultivar o hábito de agir generosamente em todos os momentos."

"Você transcende quando ama as pessoas sem preconceitos, quando contempla um pôr-de-sol, quando ouve uma música. Transcender é estar eventualmente triste e, mesmo assim, alegrar-se com a felicidade do outro. Uma maneira valiosa de transcender é quando você ora agradecendo ao Pai pela ventura da vida!"

"Mesmo que nos sintamos à beira de um profundo abismo, não devemos nunca permitir que o desânimo se instale em nosso ser. Busquemos a fé que nos fortalece e seremos surpreendidos por uma força que não nos pertence, suficiente para nos impulsionar a seguir adiante, confiantes n'Aquele que guia nossos passos pelos caminhos eternos."

Divagando...

O céu está lindo! Há tantas estrelas no céu como grãos de areia nas praias. Bem que eu poderia ser uma daquelas estrelas. Estaria a salvo e salvaria minha amada também.
O meu amor por ela parece sol de verão: queima. Deixa marcas profundas. As noites são mornas por aqui. E nosso amor incendeia o nosso quarto.
Tudo isso acontecendo e ela nem percebe como a acho linda.
Maravilhosa! Estonteante! Ela é digna de ser bem amada. Pelo melhor dos amantes.
Bobinha, ingênua, nada entende desse meu amor por ela.
É incapaz de perceber o quanto que eu a amo!
Só vivo porque me alimento desse amor. Sorvo-o a cada instante. Quando nos amamos penetro por seus poros, misturo-me ao sangue que corre em suas artérias. Vejo-a através das cortinas. Sua silhueta é inconfundível.
Recorro aos céus para que abençoem o nosso amor. Admiro seu jeito de me fazer carinhos. Seu esforço na ânsia de me amar salta às vistas de todos. Ela tenta, busca, erra e segue tentando. Se finge, parece real. E se eu me engano é porque a amo demais.
Nossa geração sepultou o romantismo. Sente vergonha de amar. Implementaram o descartável. Somos todos descartáveis. Eles ficam. Nós ficamos. Todos ficam e todos se vão. Geração robotizada. Automatizada. Computadorizada.
As relações humanas ficam cada dia mais frias. As pessoas eqüidistantes somam-se à multidão de solitários.
Foi neste mundo que eu a conheci. Ela saltou da tela do meu computador para cair nos braços meus. E nos amamos tanto, tanto que ela e eu somos um só. Por ser só nosso amor é carente e solidário. Carecemos um do outro. A todo instante, a cada dia. Na solidão deste amor nos descobrimos a cada momento.
Vivemos à mercê desse sentimento. Sepulto meus desejos para viver os seus.
E me alegro na sua alegria!

Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
msn: luiz-maia@hotmail.com
SKIPE - luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE.
"Existe um sentimento Universal de satisfação em nós quando fazemos algo de bom e positivo aos outros, assim como o de tristeza quando cometemos alguma injustiça com o próximo."
(Luiz Maia)

Conversa de fim-de-semana (21)

Costumo escrever aos jornais sobre assuntos que me incomodam e que de certo modo interferem no bom humor das pessoas. Dia desses eu me dirigi ao Parque da Jaqueira para conversar com os amigos. Ficamos reunidos debaixo de uma raríssima espécie de Baobá, árvore milenar e ainda preservada entre nós, quando um deles perguntou-me o porquê de eu não mais ter escrito fazendo minhas costumeiras críticas. Falei que existe o tempo de plantar e o de colher, e que eu já estava cansado de falar aos ventos. Além do mais eu precisava também refrescar a cabeça para pôr as idéias em ordem. Mas ele insistiu dizendo-me que eu teria de continuar metendo o cacete nessa gente, nesses governos corruptos que envergonham a classe política, etecétera e tal. Adiante disse-me que tudo o que eu escrevia batia com o pensamento dele. Antes de nos despedir ele reiterou várias vezes o seu desejo de poder ler nos jornais minhas cartas e eventuais artigos. Afinal, esse era o seu desejo.

Respeito o seu pensamento, mas o certo é que eu não estou desejoso de escrever apenas para satisfazer ao capricho do amigo. Escrever por escrever não faz nenhum sentido. Não estou querendo suprimir o desejo de ninguém, mesmo porque sem desejos a vida do homem deixaria de ser humana. Mas esse complexo animal chamado homem costuma deixar-se levar às vezes por estranhos desejos. Mas é certo que o homem humaniza-se quando aprende a superar a adversidade, abstendo-se de tentar realizar aquilo que não deveria. Este seria o preço a pagar por sua inesgotável tendência de caminhar rumo à felicidade, se quiser alcançar o que ela pode nos oferecer nesta vida. A bem da verdade eu resolvi que só devo escrever quando esse desejo vier acompanhado do prazer, satisfazendo a minha consciência.

Mas louvo a atitude das pessoas que buscam expressar sua indignação contra atos absurdos que acontecem neste nosso país, sem que possamos vislumbrar alguma providência visando redirecionar todos esses valores invertidos ao longo dos últimos anos. Erramos também quando não nos insurgimos contra isso. Falamos na maioria das vezes como se o problema estivesse somente no outro, pensando que assim podemos estar a salvos de críticas. Costumeiramente nos escondemos detrás de nossas malditas conveniências. Quem sabe um dia saiamos às ruas bradando que está tudo errado, dizendo que viver assim não faz o menos sentido. Parabéns às pessoas que têm consciência e não se conformam em serem felizes sozinhas.
Desejo-lhe um prazeroso fim-de-semana !
Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
msn: luiz-maia@hotmail.com
SKIPE - luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE.

Jovem esperança

Ao lembrar de um período feliz de minha vida não tem como não sentir saudade e preocupação com a juventude de agora. Foi-se o tempo em que a efervescência cultural ganhava os espaços de todos os jornais do país, onde a criatividade e o bom gosto imperavam, norteando os valores dos jovens da época. Ah, felizes anos sessenta!

Lembro-me bem que nos anos sessenta os jovens eram muito politizados. Quase todos freqüentavam os grêmios recreativos, os literários, as associações de classe, sendo a UNE a catalizadora das cabeças pensantes desse país. Todos esses fatores contribuíram para o ingresso de muitos estudantes em partidos políticos, sendo alguns deles expoentes da vida pública brasileira atualmente. O ensino público era reconhecidamente superior ao de várias escolas particulares de hoje em dia. É uma pena tudo isso existir apenas em nossas lembranças.

Os anos sessenta cheiravam à Arte. A todo momento nasciam os movimentos musicais, teatrais e culturais espalhados de Norte a Sul do Brasil. A agenda da juventude era rica em todos os sentidos pois havia muita coisa boa para participar. Os teatros viviam abarrotados, os cinemas da mesma forma. Os movimentos hippies, a Tropicália e a Bossa Nova se misturavam em meio à alegria contagiante que proporcionavam os inesquecíveis festivais da MPB. Esse colorido abrilhantou a alegria e a felicidade de uma geração inteira, por um bom tempo.

Essa questão de se voltar ao passado é um tema que me sensibiliza sobremaneira. Eu tenho certeza de que cada dia vivido se transforma em portas que jamais se abrirão para nós. Essa "despedida silenciosa" tem o poder de nos deixar angustiados se não tivermos os pés fincados na esperança de um feliz amanhecer.

É preciso sonhar sempre. Precisamos acalentar a esperança que transforma noites cinzentas em dias de sol. Devemos de tudo fazer para para ver renascer aquela chama que aqueceu um tempo feliz que se foi. Talvez em breve possamos assistir ao advento de um novo tempo, rico em projetos e possibilidades que venham enriquecer o viver dos jovens, hoje tão carentes de movimentos edificadores. Resta-nos plantar as sementes que darão os frutos necessários para que a boa nova aconteça e prevaleça na vida das futuras gerações.

Recife, 3 de agosto de 2006

* Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE

Conversa de fim-de-semana

Você se lembra de quando falávamos de nossos sonhos, lá na varanda de nossa casa? Muitas vezes disseram que éramos uns bobos. Lembra também quando juntos partilhávamos esperanças com os amigos? E daqueles devaneios de querermos mudar o destino da humanidade? Pois bem, agora não precisamos de mais nada pois a esperança nos abraçou, de forma demorada e definitiva. Certamente não há nada melhor além daquilo que nos foi prometido. Nem precisávamos de algo mais. Desejamos apenas a esperança tão ansiada que chegou em forma de realidade. Um novo tempo começa enfim, mudando nossos destinos e a forma de encararmos a vida. Nada será como antes. O mundo mudou e as pessoas estão livres para serem felizes. É tempo de reunirmos os cacos e refazermos nossa caminhada. O tão almejado período de paz parece refletir em cada rosto, em cada ação demonstrada pelas pessoas nas ruas, nas esquinas e nas avenidas deste nosso lugar. A alegria toma forma e já não temos tempo a perder para abraçar os amigos que chegam.

Quase sempre eu não sabia o porquê do mundo ser tão injusto com tanta gente. Claro que em nossas conversas sempre soubemos separar a realidade crua em que vivíamos do mundo que queríamos para todos nós. Sabíamos que a luta seria grande, mas que nada nos faria desistir de seguir em frente. Por isso valeu a pena. Agora eu vejo que os jornais já não trazem notícias de violência, de corrupção, de crimes. Dizem que a fome já não existe nos lares mais pobres. As guerras foram todas banidas e as armas conduzidas para o museu mais próximo. O sorriso está estampado em cada face onde antes tudo era incerteza. Já não ouvimos os gritos que varavam as madrugadas anunciando a agonia de um povo oprimido, de uma gente excluída da sociedade pelo esquecimento vil daqueles que supunham ser superiores ao próprio tempo. Vamos seguir sorrindo porque o momento é propício para comemorarmos a valorização da vida. Hoje respiramos a paz sonhada. Brindemos a alegria de poder viver sem sobressaltos, sem ódio no coração, sem medo do dia de amanhã.

Concluo desejando-lhe um ótimo fim-de-semana!

Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
msn:
luiz-maia@hotmail.com
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Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
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Recife, 4 de agosto de 2006

3.8.06

Contemplar...

Por Luiz Maia *

Certa vez eu escrevi exaltando a necessidade do ser humano observar mais aquilo que está à sua volta. No texto eu sugiro a necessidade de observarmos mais as paragens verdejantes, os pores-de-sol, as cachoeiras, os pássaros e todas as formas de vida do planeta. Cada detalhe em especial é um fio que nos ensina a tecer o tapete colorido da vida.

Do mesmo modo eu alertava para o fato de algumas pessoas perderem seu tempo a se lamentar, gente que não encontra motivos para a sua vida, apenas abre espaços para maldizer o seu próprio viver. Não sabem elas que a razão desta vida encontra-se nas coisas simples do cotidiano. Como exemplos eu citaria observar atentamente os costumes de um povo, a sua maneira de expressar-se, o seu modo de vestir-se, o seu jeito de falar, seu comportamento geralmente simples e sábio. Abençoadas são aquelas pessoas simples, da zona rural brasileira, que trabalham de sol a sol e ainda encontram motivos para serem felizes. São felizes justamente por serem pessoas simples, desprovidas de ganância e vaidades outras. Com licença, mas a melhor parte do Brasil é seu interior.

Certamente reside na minha capacidade de observação possuir uma certa facilidade em escrever. Contemplar a vida é coisa que eu faço sistematicamente, algo prazeroso demais para mim. Certa feita eu falei para alguns amigos, deficientes visuais, que dificilmente eu me adaptaria à vida se perdesse a visão. Esse assunto já foi tema em discussão, gerando polêmica. O fato é que sou uma pessoa observadora e tenho lucrado muito com isso.

Ah, que maravilhoso é poder admirar a natureza silenciosa à minha volta, sorver as horas e os momentos de cada dia, e cada vez mais me sentir apaixonado por um Deus que me ama e que tem me dado a honra de viver de forma digna e sempre apaixonado por tudo que faço. Ele tem me ensinado a vida além de me conduzir por caminhos que me levam à alegria permanente de ser. Essa minha postura de encantamento pela vida, tem ressaltado um lado meu muito especial, que nunca fora me dado a conhecer antes. O que fica é o meu desejo e a minha sugestão para que todos possam cultivar o sadio hábito de contemplar a vida, nos seu mínimos detalhes. Vale a pena conferir
.

Recife, 2 de agosto de 2006

* Luiz Maia
http://geocities.yahoo.com.br/maialuiz/
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar" e "Cânticos".
- Edições Bagaço - Recife/PE.