Conversa de fim-de-semana
Eis que em meio às árvores percebo no pé de laranjeiras a presença de um sabiá. Ele canta indiferente às minhas divagações. Em que pese o passar do tempo, o fato é que ainda existem flores naquele quintal, resistindo à nossa prolongada ausência. As rosas e os jasmins cresceram desordenadamente e se misturaram às begônias que continuam exalando o mesmo perfume. Mas tanta beleza assim parece invisível aos olhos daqueles que ignoram as maravilhas de um tempo que se foi. Essas flores nos falam da exuberância silenciosa de uma época em que não conhecíamos ainda o sabor da saudade.
Hoje eu não preciso ver o céu azul, nem desejo contemplar as ondas do mar. Quero falar de coisas que lembram saudade. Sigo colhendo flores que adornaram os caminhos de nossos antepassados. Sempre me ocorre passar diante dessa casa antiga para apreciar os seus jardins, lembrar de pessoas que foram importantes na minha vida. Desse modo eu me reencontro novamente comigo e me sinto menino outra vez. Tão distante do espaço e do tempo, de repente eu me vejo abraçado à imagem de meus pais e dos meus avós. Sinto-os bem perto a mim. Sou todo alegria por ter vivido num tempo onde parecia não haver dores, dissabores ou mortes a lamentar. Nessa casa havia vida abundante: cada pessoa com seus sonhos, esperança e fé na vida. Mas é fácil notar que essa casa pertence a um mundo que não existe mais, existe apenas nas recordações que nos trazem à lembrança os vários momentos felizes que hoje chamamos saudade.
Concluo desejando-lhe um ótimo fim-de-semana!

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